sexta-feira, 19 de julho de 2013

Maíra: o amor que canta

O Amor andava por aí sorrindo crianças e montando melodias. Até que um dia pensou: quero me fazer em corpo de mulher. E assim foi. A bebê nasceu cheia de cabelos e pressa para falar. No terceiro dia já queria esboçar alguma coisa. Mas, pelo tamanho dos olhos, todos também perceberam: ela também tinha pressa para enxergar. De tanta intensidade desse Amor em corpo, o mundo cresceu rápido e a atingiu em cheio. Pois ela era só amor. E o mundo... tinha muito mais do que isso.

A amor-menina quis aproveitar as mais fortes emoções no ser criança: levar o balanço para o mais alto dos céus, falar pelos cotovelos, fazer rir com palhaçadas e histórias de fantasia também os adultos. E essa amor-menina, menina-amor, não parava mais de ter pressa: queria também as fortes emoções de ser logo mulher. Calçava os sapatos largos e pisava nos vestidos compridos passando o dia a ouvir músicas românticas e a chorar como quem já viveu e já se perdeu. “Mamãe, vem ouvir música que chora”, chamava a criança. 

Por algum motivo ela deu pra ouvir música sem parar. Dia, tarde e noite revezava os discos vinil de seus pais entre Beethoven, Chico, Elis, Bethânia, Gal... E a tal música que chora tocada nas rádios populares. Mal completava 6 anos e já deu de ser cantora adulta. As pessoas boquiabertas com o seu vozerão não entendiam como podia ser: era voz e letra de gente grande. Não sabiam, afinal, que era a imensidão do Amor que estava a atropelar a menina por dentro e a sair sem pedir muita licença àquele corpo de criança. Não sabiam que o que se expressava em pressa era simplesmente o Amor que vem como o mar: em ondas intensas e avassaladoras.  

É por esse mar que, mal se fez adolescente, a menina já queria uma paixão de casal e mal se fez adulta já queria uma paixão de filho. E fez logo três crianças lindas. Pedaços dela que são, também estão cheias de sentimento e de pressa.  Hoje ela já é mesmo uma mulher por inteiro. E, por saber hoje que sua pressa é mar, realiza sua natureza-princípio: passar os dias por aí a sorrir crianças e montar melodias. Passar os dias a encher de beleza esse mundo. Pois, se soube muito cedo que ele não é mesmo só Amor, teve também muito cedo a certeza de quanto o mundo precisa dela, puro Amor que ela é. 

Quem a conhece sabe que essa é a verdadeira história da Maíra, que hoje completa 33 anos. Quem a conhece faz hoje festa no coração. Maíra, nós também somos só Amor para você!


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"Hj é aniversario do meu da minha irmã querida, mãe linda, mulher forte e que eu não sei viver sem estar grudada. Uma vez ela me disse "que não sabia onde terminava ela e começava eu" e é exatamente assim. Sempre fizemos tudo na vida juntas. Querida Maíra, feliz aniversário. Só quero pra sempre te ver feliz. Te amo   Tati."




segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ele. Simplesmente, ele.

Ele é aquele que... foi chegando sorrateiro e se instalou feito um posseiro dentro do meu coração... Que nem naquela música do Chico. A gente não tinha muito o que dizer quando se encantou. Eu, com minhas mil palavras sobre política, não conseguia expressar nada do que queria. Só mesmo num abraço longo e demorado acabei me denunciando. Não porque planejei, mas porque não tinha outro jeito. Quando a gente se sentou perto um do outro, eu já sabia. Eu, que não sou nada espiritualista ou mística, simplesmente aceitei que esse amor me chegou como certeza em forma de energia. Eu simplesmente sabia. E isso me pareceu um pouco assustador... Era ele! Era ele e pronto. E mais nada. “E desde então sou e somos... E por amor Serei... Serás...Seremos...”. Que nem naquele poema do Neruda.

Eu poderia dizer que é porque sou completamente louca pelo contraste da sua pela alva com seus fartos cabelos pretos. Ou porque a transparência do mel do seu olhar é de um doce que me preenche de paz. Ou porque seu perfume natural é o mais envolvente do mundo. Ou porque ele é de uma beleza, inteligência e gentileza que, justamente por não se saberem como tais, são da maior beleza, inteligência e gentileza que existem. Como eu não poderia me apaixonar pelo verdadeiro sábio, aquele que tanto sabe do não saber? Talvez me apaixonei porque ele é aquele que não há quem não se encante. Que tem como sagrado, religioso, o respeito à diferença do outro. Que traz o companheirismo de um modo intenso. Que traz a entrega como regra. A capacidade de se jogar por inteiro em tudo aquilo que faz. O carinho que transforma tudo aquilo que toca em algo melhor. Eu poderia ama-lo por tudo isso... E mais...

Mas não. Eu o amo antes de tudo. Eu o amo num justo SIMPLESMENTE. E esse tudo o mais... Esse tudo o mais é o que vem depois e crescendo a cada dia. É o que faz de mim inacreditavelmente mais apaixonada a cada manhã. Se é raro o amor, mais raro ainda é esse tamanho orgulho do amor que se tem. Por alguma razão o Universo achou por bem me presentear com esse amor que não cansa de crescer e de se orgulhar. Eu tenho a sorte de ser aquela que se pega perguntando como é possível acordar todos os dias num sonho. Caminhar com esse sonho de mãos dadas. Rir, passear, cair e levantar com esse sonho. Os anos passam e de repente começo a ter certeza de que é esse sonho é real, não vou acordar. É a realidade. É possível a realidade ser sonho. Ele é esse sonho possível. É possível um ser humano tão lindo se mostrar ainda mais lindo em cada pequeno detalhe. E, o melhor, sem perceber. É  possível se achar infinitamente feliz e ainda assim poder ser mais um pouquinho e mais e mais e mais... É possível se apaixonar ainda mais mesmo quando se pensa não ter mais espaço. Com ele isso é possível. É possível sempre mais entrega e companheirismo. Então, o que posso dizer? Muito pouco. Nunca as palavras darão conta dessa magnitude de beleza.

Por isso hoje, que é o dia do aniversário dele, não é o único dia que eu o envolvo com toda a força em meus braços. Hoje é apenas o dia em que eu me preencho de alegria para devolver ao Universo a alegria desse presente que ganhei. E peço para que eu possa ter ainda muitos dias tão maravilhosos ao lado dele. Porque SIMPLESMENTE é ele. É ele: meu amor, minha paixão, minha vida.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Plebiscito sim!

Esse texto vai como um desabafo. Ontem à noite ouvindo a “Voz do Brasil” escutei o Dep. Federal Ronaldo Caiado (DEM) falar contra o plebiscito da Reforma Política. Seu argumento: o plebiscito vai tirar o foco das manifestações contra a corrupção. Eu nunca tinha ouvido um absurdo tão grande!!! Desviar o foco?? Um plebiscito é uma campanha constante de um assunto na tv, nas ruas, nas casas, na vida das pessoas! Como um plebiscito sobre a reforma política pode desviar o foco do debate das pessoas sobre a falência das instituições políticas?

Na verdade, é justamente o contrário. Um plebiscito é lenha na fogueira das manifestações! E, mais ainda, é o momento das mobilizações avançarem para além das críticas superficiais à corrupção e se posicionarem concretamente com um projeto de sistema político para o país. Se nós manifestantes não queremos intervir para alterar o sistema que gera a corrupção, então vamos guardar nossos cartazes anti-corrupção, porque eles são infantis. Do contrário, temos que exigir esse plebiscito. O Estado político no sistema capitalista é uma instituição alienada do povo justamente pelo fato de ser “privatizado” a cada nova eleição. Vivemos um sistema eleitoral pervertido, no qual é preciso muita verba pra campanha, para pagar marketeiros, fazer material gráfico, etc etc. Toda eleição é a mesma história: é o poder econômico quem manda. É uma disputa de quem tem mais dinheiro. E quem paga as campanhas são grandes empresários (por exemplo, máfia do transporte coletivo) que depois cobram a fatura interferindo contra as ações legislativas e executivas que deveriam ser a favor do povo.
 Pra romper com isso é preciso uma reformulação do sistema. E é preciso que seja de baixo pra cima, com o voto do povo, e por um motivo muito simples: o poder político está sob os tentáculos desse poder econômico e precisa do aval do povo para romper o que é necessário romper.

É no plebiscito, e não no referendo, que o povo indica o que deve ser feito antes de se fazer a lei. No referendo o povo pode apenas rejeitar uma lei. No plebiscito o povo indica o que quer mudar e depois o Congresso tem que fazer uma legislação de acordo com o que o povo escolheu. O plebiscito é a forma de consulta popular na qual o povo tem mais poder sobre o Congresso e por isso pode obrigar esse Congresso  a uma radicalidade de Reforma Política que jamais será alcançada se for feita por esse próprio Congresso ou por via referendo.

O momento agora é de irmos para as ruas defender a Reforma Política que queremos ver aprovada NO PLEBISCITO e não de lutar para que eles decidam sozinhos quais devem ser as medidas de mudança estrutural desse sistema. Tem muita gente de esquerda aí contra o plebiscito que repete o mesmo argumento da direita: o povo não está preparado para votar certo. Mas sem a participação do povo via plebiscito essa Reforma Política vai ser enrolação! O pior é ver esse mesmo “povo” comprando esse discurso. Não seriam contraditórios os manifestantes que chamam este sistema de corrupto e que querem deixar para esse mesmo sistema o total controle da Reforma Política? Ora, se o Estado político está alienado do povo e sendo usado em nome do bem privado, ou bem o povo interfere para tomar esse Estado de volta ou ele continuará o mesmo. E a arma possível hoje para o povo tomar o Estado de volta é o povo decidir neste plebiscito quais as medidas para alterar o sistema em suas entranhas. O povo que optar por abrir mão de intervir nesse sistema está optando por deixar o sistema alterar por ele mesmo, o que não será possível. Sem o plebiscito as mudanças estruturais necessárias jamais serão aprovadas!!! Uma Reforma Política Popular vai resolver tudo como uma mágica? Não. Mas sem ela nem saímos do lugar. A população pode votar de modo péssimo no plebiscito? Sim. Mas sem ele, com certeza o processo já está perdido. Por isso precisamos de um plebiscito sim! E precisamos disputar o seu resultado nas ruas!

O argumento do desvio de foco é desonesto por dois motivos principais. Primeiro porque só é possível combater a corrupção profundamente se for um combate em sua estrutura, ou seja, por uma Reforma Política POPULAR. Segundo porque só é possível ganhar mais amplamente as causas em nome da educação, saúde, direitos humanos, reforma tributária e reforma agrária se atrofiarmos o máximo que pudermos o poder do sistema econômico sedento de lucro sobre o sistema político, ou seja, se tivermos uma Reforma Política POPULAR. Terceiro porque só é possível fazer uma Reforma Política POPULAR  via plebiscito. Fazer o plebiscito da Reforma Política não só não é tirar o foco como ainda é FOCAR MAIS INTENSAMENTE na essência de todos problemas.

O argumento do despreparo do povo para um plebiscito é desonesto também por dois motivos. Por um
lado, advém de uma direita que na verdade não quer uma Reforma Política profunda e sabe que se tiver plebiscito não terá como enrolar o povo. A ideia de um referendo no lugar do plebiscito tem o claro objetivo de enrolar. De acordo com a OAB*, “no plebiscito, o povo é convocado antes da criação do ato legislativo (...) No referendo, ele é convocado posteriormente, após a aprovação de uma lei, por exemplo, pelo Congresso Nacional, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta legislativa (...) Aplicando-se as
definições ao que foi apresentado pelo senador piauiense, no caso do referendo, o processo seria ‘penoso’, ‘doloroso’, ‘espinhoso’ para a sociedade. O Congresso, por exemplo, poderia ter ‘dois trabalhos’. Aprovar uma lei e depois essa mesma lei ser rejeitada pela consulta popular do referendo.” Ou seja, o referendo poderia enrolar o processo e aí sim, ir-se-ia perder o calor das manifestações de rua que ocorrem agora.

Por outro lado, o argumento contra o plebiscito também advém de uma esquerda idealista, que fala tanto em intervenção do povo, mas ao invés de defender a consulta popular e ir para as ruas defender uma Reforma Política radical, instiga a rejeição do povo ao próprio instrumento desta consulta do mesmo modo que a direita tradicional o faz.

Repito: não há como aprovar qualquer mudança estrutural sem a intervenção do povo. E o plebiscito é essa intervenção hoje. Você teria visto tanta gente debatendo desarmamento no Brasil se não tivesse existido uma consulta popular sobre o assunto? Não. Imaginemos então um plebiscito da Reforma Política no calor da luta...

Estamos num momento de encruzilhada das mobilizações populares. O plebiscito é um combustível para as manifestações, um combustível que precisamos para sairmos do debate superficial e forçar para as mudanças estruturais tão necessárias no Brasil.

*Artigo: http://www.portalaz.com.br/noticia/geral/270925_artigodiferenca_entre_plebiscito_e_referendo.html

sábado, 29 de junho de 2013

Manifestos de Junho/13: algumas impressões e esperanças

Algumas impressões políticas pareciam bastante claras a mim nos últimos tempos.

PRIMEIRA IMPRESSÃO: a de que mídia há algum tempo faz uma campanha maciça contra a democracia na medida em que não politiza a crítica à corrupção ao mesmo tempo em que faz dessa crítica o centro dos problemas, transformando-a numa questão moral, não distinguindo as causas estruturais tanto da corrupção quanto dos demais problemas. Ou seja, a mídia, “à la CQC”, há muito tempo simplesmente  “arde a política no fogo do pecado”, como diz PHA. Joga tudo no saco da imoralidade pessoal para assim deixar oculta a causa da corrupção (que, acreditem, não está no fato de "uns estarem com Deus e outros com o Diabo"!) e deixarem indistintos os projetos políticos quanto às questões estruturais que prejudicam o país. Quando digo “há muito tempo” considero que desde o caso do Collor isso acontece, mas que nos governos Lula/Dilma se agravou, dado que a direita via mídia e judiciário encontrou no mensalão um modo de detonar o PT, abafando o mensalão do PSDB e sendo constante e  firme em seu projeto de construir a imagem do PT não como corrupto e sim como “governo mais corrupto da história” – um modo eficaz de dizer que as diferenças dos projetos no que tange  às questões sociais são praticamente nulas. (A despeito do Brasil no governo Lula/Dilma ter sido o único país além da China que, de acordo com a ONU, diminuiu a mortabilidade por Fome, leia-se Miséria -  em 40%. Seria uma diferença pouca???).

SEGUNDA IMPRESSÃO: a de que o governo precisava avançar para além dos grandes feitos no que tange a tirar o país da miserabilidade e partir para as reformas estruturais que todos da esquerda sonham há tanto tempo.

TERCEIRA IMPRESSÃO: a de que tal avanço estrutural estava constantemente e irritantemente sendo barrado em nome de um tal PIB para não deixar o país cair numa tal crise do capitalismo internacional que traz justamente desemprego e miséria.

QUARTA IMPRESSÃO: a de que tudo isso teria que ser pincelado por mim lendo artigos aqui e ali, ou seja, de que o governo não tem um canal de comunicação que nos permita entender o que está fazendo e porque está fazendo. 

QUINTA IMPRESSÃO: a de que isso tudo estava irritando bastante não somente a mim, mas a tantos e tantos movimentos sociais, ou seja, o governo também estava pecando na falta de diálogo direto, não mediado.

Nos primeiros dias em que vi o povo nas ruas me felicitei, tal como muitos colegas que pensavam parecido comigo: era o momento da esquerda cobrar da Dilma uma respostas às nossas expectativas para além dos avanços (enormes!!) na redução da miserabilidade. Exigir a redução das tarifas de transporte nos permitia exigir um posicionamento combativo contra o domínio do poder econômico nas tantas e tantas áreas estruturais do país. Era a ponta de lança em nome de uma guinada à esquerda. As primeiras manifestações de fato pareciam indicar isso. As esperanças renasciam.

De repente, entretanto, a coisa ficou obscura. Bastante simbólica foi a mudança de posicionamento de um dos jornalistas mais reacionários do Brasil, Arnaldo Jabor. Da crítica aos manifestantes ele então resolveu tentar pautar o movimento dizendo algo do tipo: achei que vocês fossem idiotas combatendo a máfia do transporte por R$0,20 centavos (ou seja achei que fossem idiotas combatendo o domínio do poder econômico nas questões sociais) Mas, que nada! Percebi que vocês são inteligentes: querem é combater apenas corrupção e ”sabem” que a corrupção é simplesmente o governo – e não a estrutura (ou seja, percebi que se vocês se voltarem só para a bandeira anti-corrupção e anti-governo os conservadores/capitalistas podem ganhar muito com isso!).

De repente, então, aqueles que queriam combater o domínio do poder econômico e exigir da Dilma mudanças estruturais à esquerda se viram ao lado de bandeiras conservadoras. Hein? Foi então que me lembrei de que havia esquecido da PRIMEIRA IMPRESSÃO: da campanha anti-corrupção feita de modo superficial pela mídia e que exaltava o poder Judiciário – aquele que até hoje não julgou o mensalão do PSDB e que tal como qualquer poder político do Estado capitalista é corrupto – como o poder salvador da pátria, sob a figura de um indivíduo moral Joaquim Barbosa.

O susto foi grande. Cogitei sair das ruas. Se for pra retroceder, melhor tomar cuidado. E então comecei a observar melhor. Na  verdade, apesar da mudança do Jabor ter sido também uma mudança da Globo em geral, o movimento não era completamente conservador. Pés no chão: não é só um movimento exigindo uma guinada à esquerda. E mais pés no chão: não é só um movimento conservador da direita. Não é um movimento só de pacíficos e nem só de vândalos. Não é um movimento só de pacíficos anti-vândalos, tem também só de pacíficos pró-vândalos. É um misto. É um movimento que se volta contra os símbolos do capitalismo, é um movimento que tem bandeiras conservadoras, é um movimento que detona a Globo/mídia, é um movimento que quer aparecer na Globo/mídia, é um movimento que quer a guinada à esquerda, é um movimento que quer a guinada à direita, é um movimento de apartidários anarquistas, é um movimento de apartidários fascistas, é um movimento de apartidários que nem sabem o que querem no lugar dos partidos e julgam não terem a responsabilidade de responder a essa pergunta quando combatem os partidos. É um movimento que se mascara como Anonymous que parece mais distante do Anonymous internacional que qualquer desmascarado. É um movimento cara limpa que se recusa fazer aliança com Anonymous. É um movimento de coxinhas. É um movimento de socialistas. É um movimento por mudanças.

Pés no chão é um “balaio de gatos”. Pés no chão: sair das ruas é a pior opção.

No meio desse balaio, começam a sair pautas de reivindicações. E minha impressão é péssima. Com tanta coisa urgente e necessária, as pautas se mantêm no nível da moral superficial e não da estrutura política, não da mudança profunda, nem mesmo quando trata a corrupção. E de repente a coisa começa a virar. A Dilma anuncia, apresenta e faz aprovar os royalties do petróleo para a educação e saúde. É aprovada a lei que torna a corrupção crime hediondo. E, principal, Dilma vai a fundo no que de fato pode mudar a estrutura da  corrupção: é preciso fazer uma Reforma Política!!!

E agora estamos no ponto em que separamos o joio do trigo. Como não poderia deixar de  ser, a Globo faz campanha indireta contra a Reforma Política. Depois de estimular os movimentos sob a bandeira “à la Arnaldo Jabour”, agora a Globo considera que o povo é incapaz de participar do processo: “Fazer Reforma Política é perigoso!!!” Leia-se: acabar com a possibilidade dos acordos econômicos eleitoreiros e mafiosos que permite os firmes tentáculos do capital sobre os políticos é perigoso! Os conservadores gritam na Globo através da voz dos seus cientistas políticos cheios de medo. Daqui a  pouco chamam a Regina Duarte para nos lembrar do perigo!!! 

PHA traz um temor contrário ao dos conservadores e que se assemelha ao meu: e se a Reforma Política for de novo pra gaveta??? Pela falta de comunicação efetiva, pode ser  que muitos caiam nessa conversa da direita-Regina Duarte. E então talvez não consigamos fazer essa Reforma Política. E então talvez ficaremos a vida inteira tendo que ouvir do povo cheio desse medo global continuar gritando contra corrupção por uma eternidade e a Globo cheia de poder falar contra a corrupção numa cara lavada que faz inveja a qualquer máscara do Anonymous. É que, diz PHA, “Desde 1994, a Globo controla 80% de toda a verba da televisão aberta. Nenhuma Democracia do mundo permitiria que a lei que regula a rádio-difusão não se atualizasse desde 1963. Em 1994, ela tinha 80% da audiência. Hoje, tem 45% da audiência. Mas, não faz diferença. Os 80% só os mesmos e o bolo da grana aumentou. E agora ?"

E agora? E agora que sigo com esperanças!!! Porque esse movimento nas ruas, como eu disse, não se resume a abraçar as causas do Jabor, mas também o escorraça. É um balaio de gatos e tudo pode acontecer. Não é que eu tenha ilusões de que a Reforma Política não possa dar errado, ser tomada pela direita no meio do caminho. Mas penso que o importante é, pelo amor de Deus (!), que ela leve de uma vez por todas um solavanco para começar!! E então disputemos democraticamente o seu tom! Se não for agora, não será nunca!

 E espero que o governo não precise que peçamos que se faça imediatamente a democratização da mídia!!

Como sou cheia de esperança, já parto para a campanha pela outra pauta urgente depois que garantirmos a Reforma Política. "Próxima, por favor... Reforma Agrária!”

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vamos voltar às ruas por Reforma Política e Educação!!

Do balaio de reivindicações catalisadas em torno da reivindicação da diminuição da tarifa do transporte, as que eu sempre considero principais são as que buscam atacar as causas ao invés de atacar simplesmente os efeitos. Penso que pra mudar realmente as coisas nesse país, não podemos ficar fazendo leis que se focam nas consequências e sim ir mais a fundo, entendendo as causas. Por exemplo: é importante criar leis punitivas a crimes? Sim. Mas mais importante ainda é alterar a situação concreta que induz o indivíduo ao crime. Se somos contra a corrupção devemos nos perguntar: o que causa a corrupção? Se somos contra o conflito de terras nos quais morrem tantos pequenos agricultores e índios, devemos nos perguntar: o que causam os conflitos de terra? E por aí vai. E devemos buscar as perguntas na estrutura e não simplesmente na falta de leis. Leis temos aos montes. Por que elas não são suficientes? Porque é preciso focar nas causas.

Muito mais importante do que leis permitam a condenação dos corruptos (como a queda da PEC 37 e a lei que torna a corrupção crime hediondo), é a Reforma Política. É esta reforma e não outras leis quaisquer que deve alterar a estrutura que gera a corrupção política desde o financiamento privado de campanhas eleitorais. A Reforma Política é muito mais importante contra a corrupção do que qualquer lei punitiva, porque ataca as causas ao invés de se focar nos efeitos.

Neste sentido, as medidas que a presidenta Dilma anunciou através das reivindicações foram bem melhores que aqueles 5 causas feitas em nome do movimento. Dilma destacou:

- Reforma Política (deve alterar o sistema de corrupção onde ele começa, na semente, na campanha eleitoral)
- 100% dos royalts do Pré-Sal para a Educação (educação é a base de tudo! A falta de qualidade na educação é causa de inúmeros males desse país!)
- Lei de Acesso à Informação (a transparência ao uso do dinheiro público, nos permitindo atuar também inibindo a corrupção na sua base: o ocultamento)
- Democratização dos meios de comunicação (para reverter a histórica máfia de comunicação no país e colocar o povo no poder da mídia!)
- Saúde: trazer mais médicos do exterior (ficou a desejar)

Para mim faltou sobretudo mais um essencial:
- Reforma Agrária (para democratizar o acesso à terra e demarcar urgentemente as terras indígenas)

O mais interessante é como estas medidas vão mais a fundo que as levantadas pelo movimento. Os movimentos se focaram em consequências, a presidenta se voltou para as causas. Ocorre, entretanto, que para o governo ir em frente, o povo precisa continuar nas ruas!!! Não depende da Dilma realizar nenhuma das bandeiras acima, já que precisam da aprovação no congresso. Então, é preciso o povo nas ruas! E penso que as duas primeiras que reivindicações (Reforma Política e Royalties na Educação) deveriam ser as nossas reivindicações mais imediatas! Vamos de volta às ruas!!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Flor que brota em pedra



Foi mais ou menos assim… Eram os meus primeiros dias de faculdade. Não me lembro bem em qual deles, eu achei aquela chinesa instigante. Ela me deu medo. Um pouco porque sempre fui medrosa e um pouco porque eu conseguia enxergar por trás da sua estrutura física fina e delicada uma força fogo. Na verdade, o seu semblante firme expressava muita certeza e assustava essa de cá, sempre incerta de tanta coisa. Os meus olhos vagavam para cima...

Ela passou um caderninho para deixar mensagens e escrevi algo completamente abstrato com uma intenção de aproximação. Não sabia porquê, mas queria ser amiga daquela estranha. Acho que talvez eu quisesse aprender a ser forte. A ser altiva e firme como eu a via. Começamos a ser amigas e eu nem me lembro bem da fase inicial. De repente já era super amiga e pronto. O que eu não imaginava antes era que com ela eu aprenderia não exatamente a ser forte, mas simplesmente a gostar das minhas dúvidas. Que com ela eu aprenderia não exatamente a ser firme, mas a gostar de ser lúdica. Não sabia que com ela não iria aprender a ter o controle, mas a gostar de arriscar. Não sabia que com ela eu não iria aprender a ser campeã, mas simplesmente a gostar de jogar. Ou a gostar de ser ridícula para tantos. A gostar de ser completamente gente. Pelos corredores da faculdade saíamos do sério, completamente fora das etiquetas e aprendíamos os maiores jogos de linguagem do universo. Finalmente alguém que falava mais do que eu e sem pedir licença. Alguém que entregava-se ao pranto ou à gargalhada sem vergonha e sem perder a altivez. Alguém que revelava a filosofia como uma brincadeira de criança, me transportando para os meus 10 anos de idade.

Quando eu quis me aproximar daquela chinesa instigante, eu jamais imaginava que existia  um ser humano tão completamente humano. Não sabia que alguém podia ser empatia o tempo todo. Eu não sabia que era possível a tão pura lógica ser mais completamente amor e receptividade do que imposição. A gente aprendeu a compartilhar nossas infinitas teorias sobre o mundo, mas ela me ensinou o desvalor da pura razão perante o poder do corpo. A gente aprendeu a exercitar a sagacidade intelectual, mas ela me ensinou que o amor e energia são mais convincentes. Não consigo explicar tantas coisas que ela me fez saber des-sabendo... Ela me fez descobrir que vale a pena mais sabores e cores do que o familiar, que os sentidos nos trazem mais vida que as teorias, que a natureza traz maiores respostas do que as bibliotecas, que não há vida fora da comunhão e da elaboração criativa... O que eu aprendi com ela foi algo completamente inesperado e maior que o herdado em todos os anos de faculdade: eu aprendi a voar. De alma e de corpo.

Essa chinesa linda que continua me instigando até hoje me fez saber, sobretudo, que a vida dentro da vida não vem de graça: cada segundo é um segundo de resistência ao moinho dos sistemas que nos chegam prontos e absolutos. Ela é simplesmente como flor que brota em pedra. Ela é rara como a beleza e o nome que traz: Lian.  Tem aquela luz de poucos. É por isso que no seu aniversário eu sempre faço, ao meu modo, uma prece. Agradeço ao universo esse belo presente do acaso e me emociono por saber que Lian vaga por aí de chinelos de dedo brotando em pedras e inspirando liberdades. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pulso

Hoje eu quero perfume doce mas ontem o áspero e refrescante eu queria cabelos até cabelos no chão e de repente mais leves que uma pluma saias longas se foram apenas para voltar de novo meu encanto por pulso na batida quebrada nunca resiste ao charme da melodia da bossa ou do mais óbvio romance eu quase repito a lua de Cecíclia que ora se esconde e ora se esbalda na rua mas não na verdade nem a lua me serve como metáfora são tantas e tantas aqui que 4 fases seria um alento há quem diga que isso é qualidade é preciso mudar caminhos e de lado da rua para se sentir vivo disse o conselheiro por aí mas não esse pulsar é sufocante quando é absoluto mas não ele é mesmo a única vida possível dentro da vida é a pegada de ar mas não mas sim mas não o inédito é o mais sublime mas não supera o sublime do novo no mesmo mas olha essa harmonia disritmica mas olha o Chico mas então quem pode explicar que de todos os sons filosofias cheiros e gostos dialética e absoluto guerra e paz caos e silencio o amor seja o mas não mais sim que existe? Amor é só sim do amor eu quero só o sim com o não amor com tudo dentro é a minha única lua.